Este mês é dedicado à Solidariedade. Participa!

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6 de Mai de 2009

Um serviço cívico obrigatório

Em muitos sectores, o Estado e as autarquias não cumprem adequadamente as suas obrigações por falta de verbas ou de outros meios. Nalguns deles, essas obrigações carecem mais de trabalho que de equipamentos, mas não há com que pagá-lo.

  Muitas das nossas praias e costas carecem de limpeza adequada. Muitas matas e florestas precisam de ser desatulhadas de folhas secas e outros materiais combustíveis que alimentam os grandes incêndios estivais. Muitos parques e jardins, nas nossas cidades e vilas, carecem de manutenção e embelezamento. Muitos dos nossos serviços públicos, com carácter permanente ou em crises sazonais, revelam atrasos e deficiências causados pela escassez de pessoal, umas vezes crónica, outras vezes derivando de férias ou licenças. Em muitas escolas, há pequenas crises esporádicas originadas pela falta de pessoal auxiliar. Em muitas corporações de bombeiros, o número de voluntários tornou-se manifestamente insuficiente. Muitos idosos vivem entregues a si mesmos, sem qualquer apoio domiciliário. E muitas associações de apoio humanitário vêem cerceado o alcance dos seus esforços pela falta de colaboradores.

  No entanto, e ao mesmo tempo, inúmeros desempregados aguardam sem qualquer ocupação que se extinga o seu direito ao subsídio de desemprego, e permite-se-lhes mesmo recusar sucessivas ofertas de emprego sem quaisquer penalizações. Nas escolas, muitos estudantes ficam desocupados durante as longuíssimas férias de Verão, desresponsabilizados de quaisquer obrigações.

  Fará isto algum sentido?

  Todas aquelas falhas da nossa sociedade de escassos recursos podem, no entanto, ser colmatadas através de um serviço cívico obrigatório. Todos aqueles que recebem ou podem receber algum grau de protecção social contraem uma dívida moral para com a sociedade que os protege. Uns pagam-na através dos seus impostos e das suas contribuições obrigatórias para a segurança social. Outros, que transitoriamente não estão a ser contribuintes líquidos para essa rede de protecção, mas beneficiários directos e desaproveitados de um tal sistema, devem contribuir com algo mais do que a inércia e o parasitismo.

  O novo serviço cívico obrigatório deveria recair, antes de mais, sobre todos os desempregados que estão a ser subvencionados, o que também contribuiria para impedir ou dificultar as fraudes. E logo a seguir, sobre todas as crianças e jovens em idade escolar, durante um período relativamente curto das suas férias, como parte integrante da sua formação cívica.

  A ética republicana é feita de direitos e deveres, de compromissos e solidariedades. E um serviço cívico obrigatório seria para muitos intervenientes, mas sobretudo para os jovens, a oportunidade altamente pedagógica de participar em actividades de interesse geral, de colaborar com o mundo associativo e com a gestão autárquica, de dar um conteúdo prático a uma noção colectiva de solidariedade que amiúde não passa de um conceito hipócrita e descartável.

Rui Valada - Professor e Advogado

Militante do PSD (ala reformadora)

 

Maio: Solidariedade

Crise, desemprego, recessão. Todos os dias ouvimos isto. E todos os dias mais pessoas sofrem com a crise.
O que temos de fazer para acabar com as crescentes desigualdades sociais?

2 de Abr de 2009

Abril: Mês do Ambiente

Aquecimento Global. Energias renováveis. Vamos salvar a Terra ou são apenas palavras bonitas?

Abril é o Mês do Ambiente. Participa!

30 de Mar de 2009

Relatório de Segurança Rodoviária

A consultar em:

http://www.ansr.pt/Portals/0/Sinistralidade_08_SEGUREX.pdf

Crise e Crime

Aumento de 10,7 por cento da criminalidade violenta face ao ano passado

O Governo apreciou hoje em Conselho de Ministros o Relatório de Segurança Interna de 2008, que indica um aumento de 10,7 por cento da criminalidade violenta face a 2007. No entanto, no final do Conselho de Ministros, o titular da pasta da Presidência, Pedro Silva Pereira, limitou-se a dizer que o relatório será esta tarde apresentado publicamente pelo ministro da Administração Interna, Rui Pereira.Depois de ter sido analisado, na segunda-feira, pelo Conselho Superior de Segurança Interna, órgão interministerial e de consulta do Governo nesta área e que é presidido pelo primeiro-ministro, o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) será a curto prazo entregue na Assembleia da República.
Dados já conhecidos do RASI indicam um aumento de 10,7 por cento na criminalidade violenta em 2008 e uma subida de 7,5 por cento da criminalidade geral face a 2007. Em recente entrevista, o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna (SSI), Mário Mendes, disse que se registou "um pico de criminalidade anormal" nos meses de Julho e Agosto de 2008, cujas causas "têm que ser averiguadas".O Relatório Anual de Segurança Interna de 2008 indica que as forças de segurança registaram um total de 421.037 crimes (mais de 1100 por dia), dos quais 24.313 foram graves e violentos. Entre os crimes violentos, destacam-se os assaltos a bancos e a bombas de gasolina, que aumentaram praticamente para o dobro.
Verificaram-se 230 roubos a bancos, contra 108 em 2007, e 468 assaltos a postos de abastecimento de combustível, contra 241 no ano anterior. Registou-se, também, um aumento dos homicídios voluntários (mais de 7 por cento) e dos casos de ofensas à integridade física (aproximadamente 15 por cento). No ano passado, foram assassinadas 143 pessoas, mais dez que em 2007 (um aumento de 7,5 por cento), e 761 foram agredidas violentamente, mais 99 que no ano anterior (uma subida de 15 por cento).

8 de Mar de 2009

88% dos portugueses dizem que a insegurança aumentou

A esmagadora maioria dos cidadãos acredita que a segurança piorou e as expectativas para o futuro não são melhores, revela barómetro. Desemprego e terrorismo entre as principais causas.

A esmagadora maioria dos portugueses, quase 88%, acredita que a segurança no País piorou (60,5%) ou piorou bastante (27,4%) no último ano, sendo os parques de estacionamento e a rua os locais considerados mais perigos.

No entanto, para o futuro, mais concretamente para os próximos 12 meses, as expectativas não são melhores. Mais de metade dos cidadãos da Grande Lisboa, Amadora, Loures, Évora, Grande Porto, Faro e Castelo Branco acreditam que a evolução da segurança vai piorar.

Os dados do relatório final do Barómetro Segurança, Protecção de Dados e Privacidade em Portugal - que o Destak consultou mas só hoje será apresentado - apontam o desemprego (58,5%), as novas formas de criminalidade, como o terrorismo e o crime organizado (46,2%), e as alterações na composição da sociedade, como a imigra-ção (45,3%), como principais factores de insegurança.

Jardins e parques inseguros

Por cidades, são os habitantes da Amadora (57,1%) que lideram na tabela de insegurança, seguidos dos de Loures (53,8%). Já os de Évora conseguiram o primeiro lugar na segurança, com 78% da população a garantir não ter medo de viver na cidade.

Quanto aos locais apontados pelos 826 inquiridos como mais perigosos, os parques de estacionamento são pouco seguros para 61,8%, seguidos de perto pela via pública (61,4%) e pelas discotecas e bares (58,2%).

No entanto, os jardins e parques infantis, supostos locais de lazer para os mais pequenos, também não recebem uma boa pontuação no que respeita à segurança: 41,1% caracterizam--nos de pouco seguros.

Portugueses concordam com videovigilância

Apesar de os sistemas de videovigilância serem uma questão polémica, por causa da privacidade, mais de metade dos portugueses acreditam que se sentiriam mais seguros com a sua implementação. Além disso, 60,5% dizem que a videovigilância contribuiria para dissuadir comportamentos ilícitos e 73,4% não a consideram como uma invasão de privacidade. No entanto, a sua instalação em certos locais, como o trabalho (41,6%), não é vista com bons olhos.

56% sentem-se inseguros nos transportes

Segundo o Barómetro Segurança, Protecção de Dados e Privacidade em Portugal, mais de 56% dos inquiridos sentem-se pouco seguros nos transportes públicos e seus acessos e 12,6% nada seguros. Entre os três locais apontados como preferenciais para a aplicação de videovigilância, os transportes ocupam o segundo lugar (41,6%). O autocarro (59%) e o metro (51,2%) são os dois meios mais utilizados pelos portugueses.

Fonte: Destak

Criminalidade e Crise económica (SIC)

Divulga!

1 de Mar de 2009

Março: Mês da Segurança

A tua rua é segura? Onde é que vais quando sais à noite? A Amadora é mesmo insegura? Mostra como vives e o que fazer para acabar com a insegurança.

Participa nesta iniciativa!

28 de Fev de 2009

E Fevereiro foi o Mês da Educação

O mês terminou e o primeiro dos temas colocados também. Recebemos dezenas de participações de jovens da nossa cidade, que agora iremos avaliar. Agradecemos a todos os que participaram.
Mas esta iniciativa não fica por aqui... vem aí um novo mês e com ele um novo tema!

Conferência "Que Educação para Portugal?"

A JSD Amadora irá realizar brevemente uma conferência sobre Educação. Mais info em breve.

Oh Ministra do mundo cor-de-rosa, não seja teimosa!


Olhe que vêm aí as eleições...

Sobre a avaliação dos professores

As recentes pretensões do Governo em avaliar individualmente o desempenho de toda a classe docente, alicerçadas em boas intenções teóricas, desembocam em meandros absolutamente insensatos e em pormenores que só podem classificar-se como surrealistas.

Se o objectivo fosse a boa gestão das escolas, haveria que pensar com seriedade na relação custos-benefícios. Se fosse também a melhoria dos resultados escolares, seria necessário poder demonstrar que uma coisa tem relação com a outra. Ora não parece que alguém tenha feito esse estudo prévio. Trata-se apenas de política pura e dura. Pior ainda é que algumas das medidas avulsas que se pretende pôr em prática sejam, no mínimo, bizarras.

Por exemplo: se muitos professores leccionam mais de 500 ou 600 horas por ano lectivo, poderá cada um deles ser avaliado pelo que faz em 4 ou 5 aulas assistidas, ainda por cima sujeitas a aviso prévio?

Muitos dos factores que influenciam o aproveitamento escolar dos alunos, tais como ambiente familiar, condições logísticas, regime alimentar e de sono, métodos e disciplina de estudo, quociente intelectual, empenho e persistência, eventuais explicações externas, motivações pessoais, antecedentes escolares, deficiências anteriores acumuladas e não resolvidas, actividades extra escolares, etc, não são da responsabilidade do professor actual que lhes lecciona um determinado programa, o qual só pode responder pela qualidade média das suas aulas ao longo do ano e pela adequação dos instrumentos de avaliação por si utilizados. Ora faz sentido, nestas circunstâncias, que a qualidade do desempenho dos docentes seja deduzido do nível de resultados dos seus alunos, permeáveis a tantas outras influências e condicionantes que lhe são alheias?

Ainda mais intrigante: fará sentido que muitos professores venham a ser avaliados por colegas com idêntica formação, idênticos conhecimentos, idêntica experiência, idêntica qualificação profissional e sabe-se lá se com menor classificação académica?

Pergunto-me se já alguém pensou no enorme desperdício intelectual e financeiro de tantas horas de trabalho pagas que serão necessárias para garantir a assistência às aulas de muitas dezenas de milhares de professores, elaborar e analisar os respectivos relatórios, submetê-los à aprovação de instâncias superiores, etc, etc…

Sejamos práticos: não é realmente de esperar que melhore o desempenho da classe docente, se esta andar cada vez mais assoberbada a participar em reuniões inúteis, a elaborar actas e relatórios, a preencher fichas e inquéritos, a assegurar parte do funcionamento burocrático das escolas ou a frequentar acções de formação que em regra não servem para nada, em vez de poder dedicar o seu tempo não lectivo àquilo que verdadeiramente importa, que é, além do apoio personalizado aos alunos, o estudo e a preparação das aulas.

Não é de uma avaliação dos professores que estamos a necessitar com maior urgência, mas sim de uma avaliação severa do próprio Ministério da Educação.

Por alguma razão o nosso sistema educativo está em penúltimo lugar no conjunto dos países da OCDE. Atrás de nós, imagine-se, só o México... E não parece que a culpa seja dos professores. Esses até denunciam porquê, mas nenhum ministro os ouve.


Rui Valada

Professor e Advogado

 

Os professores e a estratégia sindical

Com culpa ou sem ela, dada a complexidade quase labiríntica das reformas toscas e atabalhoadas que o Ministério da Educação tem tentado ultimamente empreender à pressa, o que é facto é que os sindicatos têm revelado também algumas falhas de clarividência estratégica para se opor a elas.

Talvez seja compreensível: toda a classe docente anda ainda tão atordoada com esta avalanche de mudanças mal concebidas e pior legisladas que só agora começa a ser capaz de juntar os fios da meada. Têm-se sucedido despachos, circulares, orientações e documentos avulsos a um ritmo que impede a boa digestão. Têm-se acumulado as imprecisões, as lacunas, as inépcias e as omissões, num volume significativo. Vão proliferando as diferenças de interpretação, de planificação, de aplicação. Multiplicam-se também as análises e os pareceres, mas as opiniões dividem-se. Feitas as contas, sobra pouco tempo para pensar com calma e ir ao essencial.

Em primeiro lugar, há que questionar seriamente se e como pode ser avaliado com rigor o desempenho didáctico de cada professor, tratando-se de uma profissão essencialmente solitária, que se desenrola em larga medida (ou seja, no seu núcleo duro: ensinar) à margem dos olhos de colegas e directores.

Em segundo lugar, há que pôr em evidência que uma variável só pode ser medida com precisão quando pode ser isolada. Ora se o progresso escolar dos alunos pode resultar do mérito dos professores, do mérito dos próprios alunos ou de uma conjugação de ambos, como é possível destrinçá-los para medir só um deles separadamente? Não conheço ainda resposta para tal questão.

Em terceiro lugar, há a razoabilidade financeira. Qualquer modelo de avaliação dos docentes implica, para cada caso individual, o dispêndio de um certo número de horas de trabalho qualificadas e pagas. Num processo burocrático tão complexo como o que se preconiza e se pretende aplicar, qual o tempo de trabalho necessário para avaliar 143.000 professores de dois em dois anos? E quanto custa isso ao Estado, ou seja, aos contribuintes? Será esse dispêndio colossal minimamente justificável em face dos magros resultados previsíveis, quando seria possível aplicar tais verbas na modernização tecnológica das escolas ou noutras melhorias, com resultados muito mais palpáveis?

Em quarto lugar, se pode o Ministério da Educação formar uma comissão científica para superintender na avaliação do desempenho dos professores, por que não hão-de os professores, numa actuação concertada dos seus sindicatos, constituir também uma comissão científica, igualmente credível e não menos eminente, para avaliar em cada ano o desempenho do Ministério da Educação? Como arma política de arremesso, não seria coisa de desprezar. E tanto menos quanto maior fosse a seriedade posta na iniciativa.

Aqui fica a sugestão para abrir quatro novas frentes de combate.


Rui Valada

Professor e Advogado


22 de Fev de 2009

Construir a educar

A construção das sociedades deve assentar num processo evolutivo de valorização dos seus activos, e isso só é possível através de uma aposta sustentada na Educação. Tal como construir uma ponte, dirigir políticas de educação requer planeamento, estratégia, saber onde se vai começar, mas sobretudo como se quer acabar. Infelizmente ao longo dos últimos anos devido a sucessivas trocas de governos, mas sobretudo trocas de quem dirige a pasta da educação (desde o 25 de Abril de 1974, Portugal teve 31 ministros responsáveis pela pasta da educação, o que da uma media de pouco mais de um ano a cada ministro), tem sido impossível definir uma política sustentável, levando ao caos educativo que o nosso pai vive na actualidade.

Portugal, ocupa, hoje, um dos primeiros lugares no pódio da taxa de insucesso e abandono escolar da União Europeia. Estes dados são alarmantes, pois o nosso país vive inserido numa comunidade que caminha a passos largos para um mercado único de trabalho Europeu, onde a competitividade será crescente. Por isso é fundamental que o Investimento na educação seja capaz de formar bons quadros, adequados às necessidades do mercado de trabalho da comunidade.

Por isso pergunto-me, será que neste momento, o governo de Portugal consegue corresponder as necessidades e anseios de milhares de jovens que pretendem valorizar-se e apostar numa melhor formação? Claro que não… Infelizmente, vivem-se em Portugal casos alarmantes. O Novo estatuto do aluno, é bom exemplo disso. Que governo civilizado e com ambições sociais, pode pretender que de uma forma simplificada o critério para aprovação nos diversos níveis de aprendizagem, seja baseado na assiduidade? Que governo é este, que se preocupa mais com estatísticas (sendo capaz de a ensinar), preferindo baixar a exigência dos exames nacionais (dado comprovado por professores e alunos), em vez de aumentar as competências de ensino, de forma a atingir melhores médias?

Desculpem-me, mas a única resposta possível, é que este é o governo do “quem vier que feche a porta”.

Infelizmente, é isto que temos, e será o que a nossa geração merece? A mim parece-me que não. Somos a geração mais proactiva de sempre, e para isso basta ver os quase 1000 jovens portugueses, que seguindo um sonho e uma vocação, deixaram o seu pais enfrentado todas as dificuldades inerentes a isso para poderem estudar medicina. Levando consigo preciosas divisas (por exemplo na Republica Checa a propina anual na Faculdade de Medicina para estudantes estrangeiros é de aproximadamente 9000 euros anuais), mas sobretudo conhecimento. Será que esta é a medida? Será que numa sociedade Ocidental cada vez mais envelhecida, fará muito sentido “obrigar” as populações jovens a migrar em busca de aprendizagem? Infelizmente mais uma vez parece-me que não…

Por tudo acima escrito é necessário que de uma vez por todas se deixe o “politiques” e que defina a educação como a pedra basilar para o desenvolvimento do nosso país. E que se parta para a construção de um projecto educativo, assente na formação dos alunos com vista as necessidades do mercado de trabalho.

Muitos dos anteriores governos, preferiram o conforto da obra fácil e de resultados imediatos, mas a nossa geração tem a obrigação de ser diferente, e permitir que a geração dos nossos filhos já possa viver numa sociedade mais adequada e competitiva no enquadramento Europeu. E isso… depende de NÓS!

 

André Almeida

(Deputado PSD, Membro da Comissão Parlamentar de Educação e Ciência)

www.andrealmeida.com

 

Um olhar sobre o pré-escolar

O período pré-escolar é uma das etapas mais importantes na vida de uma criança. É aqui que as crianças adquirem competências sociais e humanas, hábitos, rotinas e regras e onde também começam a desempenhar as mais básicas tarefas do dia-a-dia.

No entanto existem algumas falhas ao nível da educação pré-escolar. A falta de técnicos experientes e qualificados (auxiliares de acção educativa) é uma das mais graves falhas. Isto porque as crianças necessitam não só de um educador competente, mas também de auxiliares qualificados que possam dar uma maior e mais correcta resposta às necessidades das crianças.

Um outro problema, são a falta e/ou a inadequação dos espaços para o desenvolvimento correcto das actividades. Muitos estabelecimentos pré-escolares são criados em casas alugadas ou compradas que são transformadas mas ainda assim sem espaço ou condições minimamente aceitáveis, com graves perturbações ao nível educativo e da higiene. As crianças estão amontoadas e dormem umas em cima das outras. Certos estabelecimentos pré-escolares parecem, muitas vezes, mais um depósito de crianças. Seria muito mais útil um pré-escolar anexado a uma escola primária ou com espaços óptimos, construídas para o efeito. Mas para isso seriam necessários apoios ao sector particular ou a IPSS que nem sempre existem.

Na minha opinião, nos dias que correm, o que importa é abrir pré escolares. Mesmo que as condições não sejam as melhores com o baixo poder de compra, os pais são obrigados a procurar um local barato para deixarem os seus filhos enquanto trabalham (muitas vezes mais do que o permitido por lei) para que nada lhes falte mesmo que a instituição não tenha as melhores condições.

Aqui, denota-se uma falha no controlo por parte dos organismos do Poder Central e Local que se deveriam responsabilizar mais pela fiscalização destes espaços.

Por último, o ensino pré-escolar deveria ser o primeiro espaço de ensino das crianças, mas também dos pais, de forma a contribuir para um crescimento harmonioso das crianças, com a responsabilização dos pais no processo educativo.

Andreia Gaspar

Auxiliar de Acção Educativa

Militante da JSD


Novos rumos para a Educação

Portugal tem o pior sistema educativo da União Europeia e o segundo pior do conjunto de países da OCDE. Isto não é consentâneo com o objectivo de vir um dia a alcançar o pelotão da frente dos países desenvolvidos. Antes pelo contrário, distancia nos dele.

O cerne do problema é o próprio Ministério da Educação, uma estrutura pesada, burocrática, obsoleta, dispendiosa, muito mais orientada para a promoção do sucesso estatístico do sistema do que para a obtenção de resultados reais no aproveitamento escolar. Tal estrutura precisa ser em parte desmantelada, noutra parte reformada. E é necessário também transferir para os poderes locais um maior número de competências e as correspondentes dotações financeiras (entre outras, as que se prendem com a generalização do ensino pré-escolar e a manutenção de todo o parque educacional).

Os ensinos básico e secundário carecem de uma cultura pedagógica direccionada para um grau muito maior de exigência aos alunos e para uma preocupação essencial com a transmissão de saberes estruturados, em detrimento dos actuais modismos pedagógicos. As últimas três décadas assistiram ao fracasso clamoroso do “eduquês” e suas práticas. Há que revalorizar o conhecimento, a disciplina, o esforço, a persistência e o mérito − e além do mais, o papel fulcral dos professores e da sua ética profissional.

É imprescindível estabelecer padrões elevados de transmissão de conhecimentos e sustentá-los através de um sistema de avaliação adequado, padronizado, exigente e rigoroso, centrado na medição das aprendizagens efectivamente conseguidas. Sem isso, nunca será possível credibilizar o sistema de ensino e os diplomas concedidos.

Ao longo do percurso escolar obrigatório, a língua portuguesa e a matemática devem assumir o patamar de importância que lhes é devido como saberes básicos estruturantes. E à semelhança do que se faz noutros países europeus, deve-se generalizar a iniciação intensiva em duas línguas estrangeiras e na informática, logo a partir do primeiro ciclo do ensino básico.

O ensino secundário aguarda há décadas a introdução de soluções sensatas de flexibilidade curricular sem uma proliferação caótica de disciplinas e variantes, facilitando as escolhas dos alunos e a gestão administrativa das escolas. Quanto aos programas, muitos estão obsoletos e carecem de actualização urgente, especialmente no domínio das ciências humanas.

No ensino superior, é urgente debelar o flagelo das licenciaturas e mestrados de fraco nível académico e sem saída profissional previsível, com todo o dispêndio de recursos e de vocações que acarretam. É, além do mais, uma questão de moralidade pública e de bom senso económico.

No que concerne às profissões docentes, há muitos estragos a reparar. Há que devolver-lhes a dignidade e o prestígio perdidos, revalorizar o seu estatuto social, devolver-lhes a autonomia e o poder disciplinar na sala de aula, reforçar a sua autoridade e segurança, libertá-las de cargas burocráticas inúteis e de constrangimentos absurdos nos domínios da didáctica e da avaliação. E não menos importante, remover as obstruções artificiais à progressão profissional e salarial dos professores, proporcionar lhes uma formação contínua digna desse nome, ou seja, útil e eficaz, realmente centrada na aquisição de novas competências científicas e didácticas, o que não é actualmente o caso.


Rui Valada

Professor e Advogado

Militante do PSD (ala reformadora)

 

19 de Fev de 2009

Faltam 10 dias...

Já só faltam 10 dias para poderes participar no desafio dos 12 Meses, 12 Temas! Envia a tua opinião sobre a Educação. Conta-nos o teu dia na escola, aquilo que gostavas de aprender e aquilo que odeias. Ou então o que achas do estatuto do aluno, das associações de estudantes, dos professores.

Da-nos a tua opinião. O trabalho mais original ganha um prémio! Participa!

18 de Fev de 2009

Uma escola de excelência

Quando lastimamos o estado do nosso sistema de educação, não nos serve de muito apelar a "uma escola de excelência" se não fizermos algum esforço para pormenorizar em que ela consiste. Para não reduzirmos o conceito a um mero slogan, é preciso dar-lhe algum conteúdo tangível.

Obviamente que não se trata só de ter escolas bem equipadas, bem administradas e dotadas de professores competentes. Talvez essas sejam algumas das condições fundamentais da excelência, mas não a sua expressão prática.

A excelência exprime-se nos resultados obtidos. Ora a noção de resultados não pode restringir-se a estatísticas animadoras nas pautas de classificações, ou nas percentagens relativas a aprovações e reprovações, ou na quantidade de alunos que cada escola consegue fazer transitar ao escalão seguinte. Tão-pouco a qualidade de um estabelecimento de ensino pode ser avaliada apenas em função da sua posição num ranking nacional viciado e artificial, incapaz de controlar e medir todas as variáveis envolvidas no respectivo desempenho. Tudo isso não passa de fogo de artifício para o indígena ver.

Sabendo nós todas as manigâncias criativas que a regulamentação escolar e a própria prática dos estabelecimentos conseguiram introduzir na avaliação da aprendizagem, a fim de evitar reprovações e inflacionar resultados, seria pueril tentar confundir a excelência destes com a média geral das classificações.

A avaliação quantitativa com que os estudantes conseguem desenvencilhar-se de programas cada vez mais aligeirados e de testes cada vez mais facilitados diz-nos muito pouco sobre o nível real dos conhecimentos e competências com que terminam cada ano lectivo, cada ciclo de estudos, cada grau de ensino. Mas a experiência e o bom senso dão-nos a impressão certeira de que as classificações atingem médias cada vez mais elevadas, enquanto os conhecimentos reais dos alunos não param de se empobrecer. Uma tendência que só poderá agravar-se com essa ideia inspirada e peregrina de o desempenho dos professores passar a ser parcialmente avaliado em função das classificações obtidas pelos seus alunos.

Uma escola de excelência começa por recusar-se a embarcar neste logro. Exige de si própria um elevado nível de transmissão real de conhecimentos e não um mero aparato de classificações inflacionadas e de estatísticas enganadoras. Avalia na íntegra os programas que lecciona e não apenas a sua parte mais fácil. E lecciona na íntegra os próprios programas, não poupando os alunos ao que é complexo, mas necessário. Não atribui as boas notas ao desbarato, antes obriga os estudantes ao esforço, à persistência, ao método e à sistemática elucidação das dúvidas. Valoriza o mérito, distingue-o, enfatiza-o. Fornece os meios para vencer as dificuldades, mas não as elimina. Não deixa acumular falhas e deficiências nem faz de conta que as resolveu. Encaminha cada um para aquilo que lhe é acessível, mas não nivela por baixo. E ensina aos seus alunos que vivem num mundo muito competitivo e que têm de esmerar-se para ficarem aptos a enfrentá-lo. Ensina a responsabilidade, a pontualidade, a assiduidade, a disciplina, o respeito formal por quem sabe ou manda, a entreajuda, a disciplina, a metodologia adequada, a vontade de superar dificuldades.

Não tenham pena deles. Os estudantes conseguem sobreviver a tudo isso.

Rui Valada
Professor e Advogado
Militante do PSD (ala reformadora)